sexta-feira, 10 de junho de 2011

Saber Ver Arquitetura, As várias idades do espaço

Pontifíca Universidade Católica
Arquitetura e Urbanismo
Teoria, História e Crítica da Arquitetura e Urbanismo
Orientador Marcos Alves de Carvalho
Fevereiro de 2011.



Resumo do Livro: Saber Ver Arquitetura
Autor: Bruno Zevi



CAPÍTULO 4: AS VÁRIAS IDADES DO ESPAÇO (págs.53 a 73)

Esquematização de um processo histórico-crítico[1]



A história da arquitetura é composta pela história da atividade edificatória atravéz dos séculos que tráz em si a própria história da civilização, baseada em suas preferêcias artisticas.

Antes de esquematizar um processo histórico-crítico, primeiro deve-se analisar os seguintes dados:

Os pressupostos sociais, baseados nos programas construtivos, que fundamentam-se basicamente na condições econômica e nos costumes.
Pressupostos intelectuais. Inclui a coletividade, o individuo e as aspirações dele dentro da sociedade, religião, mundo, etc.

Pressupostos técnicos. Progresso nas técnicas e organizações construtivas.
O mundo figurativo e estético. Concepções e interpretações da arte e o vocabulário figurativo de sua época.

Esses fatores analisados representam a cena sobre a qual nasce a arquitetura, ou seja, a história da civilização: indicam classes no poder, problemas ou descobertas tecnicas, etc.

Após isso, analisamos a história das personagens e dos monumentos.

A crítica dos monumentos esquematicamente:

Análise Urbanistica. Diferenças e caracteristicas dos espaços exteriores antes e depois da construção dos monumentos.

Análise Arquitetônica. História da composição espacial, isto é, sentir e viver os espaços internos.

Análise volumétrica. Estudo do invólucro mural que contém o espaço.

Análise dos elementos decorativos. Escultura e pintura aplicadas a arquitetura.

Análise da escala. Relações dimensionais do edifício com o parâmetro urbano.

Neste capítulo examinamos alguns dos temas fundamentais espaciais, não pretendendo tentar desenvolver uma história da arquitetura. Apesar de ser um grande desejo de nossa cultura e ser possível como vemos em alguns grandes trabalhos.

Antes de escrever esse capítulo nos fizemos a seguinte pergunta: Para ilustrar o que foi dito, é melhor tomar um edifício e analisa-lo a fundo, com todos os detalhes possíveis ou recorrer as principais concepções que se encontram ao longo da arquitetura ocidental, omitindo, assim, algumas regras e exceções e tomando um edifício como prototipo de uma época, o que pode se confundir com o sistema de explicar as caracteristicas no lugar das obras concretas?

Prevaleceu o segundo, apesar dos riscos, pois fomentaria a educação espacial francamente atrevida e livre.

A crítica arquitetônica precisa se livrar de tabus monumentais, arqueologicos, morais para ir mais além de Valadier. Por isso é preferivel traçar uma arco das idades espaciais de Ictino, Calícrates e Fídias até a nossa geração de arquitetos em vez de acrescentar mais uma monografia que deixaria por solucionar a questão da validade da interpretação espacial aqui defendida.



A escala humana dos gregos



O templo grego se caracteriza pela ingnorância do espaço interior, o que leva alguns grandes arquitetos com Wright a despreza-lo e outros, pela escala humana, a admira-lo como Le Corbusier.

Quem investigar o templo grego a proucura de uma concepação espacial, poderá acreditar que o mesmo é um exemplar de não-arquitetura, mas ao observá-lo como escultura, ficará adimirado. Todo arquiteto deve ser um pouco escultor para poder transmitir o prolongamento do tema espacial (volume). O idealizador do Pathernon parece simbolizar o caráter meramente escultorico.

Os elementos construtivos do templo grego são: uma plataforma elevada, uma série de colunas elevadas apoiadas sobre ela e um entablamento contínuo que sustenta o teto. O espaço interior foi fechado, assim como em uma escultura, pois o foco estava na parte externa. Os ritos realizavam-se ao redor do templo (ao contrario da pregação cristã), os ecultores-arquitetos se dedicaram a transformar as colunas, as traves e os frontões em obras-primas. A civilização grega se exprimiu ao ar livre. A história das acrópoles é essencialmente um história urbanística, com humanidade nas suas proporções e escala, esculturas (edíficios e outros), com idéia de comtemplar suas obras.

Toda arquitetura corresponde a um programa construtivo, que geralmente os arquitetos vão buscar inspiração nas formas do passado. O neogressismo do século XIX aproveitou da arquiteura helênica apenas os grandes temas monumentais de plástica e de volumetria, nunca de arquitetura. E geralmente constituem tristes mascaramentos de invólucros murais, conservando as caracteristicas negativas e perdendo, por não se tratar de uma escala humana grega, os aspecto positivos.

No templo grego, o homem caminha apenas no peristilo, no corredor que vai da colunata a parede externa da cela. Quando se aproximam da Sicília e Itália, eles se tornam mais espaçosos e profundos.



O espaço estático da antiga Roma



Nem sempre a apreciação estética se aproxima da arquitetônica. O Pathernon é uma obra-prima artística não-arquitetônica. Já em Roma, muitas vezes podemos supor que não era grandes obras de arte, mas com grandes principios arquitetônicos. É unânime que a arquitetura romana é grandiosa na organização de seus espaços interiores e tão importante quanto a grega, com o gênio dos construtores-arquitetos, que é no fundo o gênio da arquitetura.

A pluriformidade do programa romano no que diz respeito a construção, novas técnicas construtivas, conciência cenografica, fecundidade inventiva faz da arquitetura romana uma enciclopédia morfológica da arquitetura. Traz, também, o amadurecimento de temas socias, deixando de lado a pureza da escultura helenstica.

Vemos as diferenças, mesmo quando usadas colunatas nas duas arquiteturas, pois, o estilo romano cobre o espaço ao contrario do grego que o encerra. Cresce em Roma a escala monumental, a necessidade técnica e o tema social da basílica, rompendo com a contemplação abstrata, enriquecendo-se psicologicamente. Transportar as colunatas gregas para o interior significa deambular no espaço fechado e fazer convergir toda decoração plástica à potenciação desse espaço.

No dicionário da arquitetura romana é possível encontrar um infinidade de motivos e sugestões espaciais. Roma absorve todas as suas conquistas arquitetônicas, mas utiliza o arco e a abóboda em escala, intenção e significados próprios. Também não se pode afirmar, que, apesar de existirem cúpulas e monumentos semelhantes ao do bizantinismo, não justifica a megalomania filo-romana.

O espaço romano é pensado estaticamente, com ambientes circulares e retangulares, simetrias e geralmente autónomos entre si. Com escala inumana e monumental, independente do observador demonstra o poder do imperio e sua superioridade, autoridade.

Quando utilizado, pelo academismo e ecleticismo, é encontrado em obras que apesar de grandes e impressionantes, são austeras. Imitando edifícios com ênfase megalômana e na retórica.



A diretriz humana do espaço cristão



Os cristãos se basearam na arquitetura helenística para criar sua igreja, assim temos a igreja com a escala humana dos gregos e a consciência do espaço interior romano. Produzindo uma revolução funcional no espaço latino.

A igreja cristã ao contrario do senso popular não é a casa de Deus e sim um lugar de reunião, comunhão e oração dos fiéis. Inspirada mais na basílica do que no templo romano, por sua proximidade temporal. Foi reduzida para a intimidade e o amor proposto propor essa religião. Comparando-as vemos poucas diferenças além da escala.

A revolução espacial constitui em ordenar todos os elementos da igreja na linha do caminho humano.

A basílica é simétrica, já a igreja cristã não tem uma das duas absides e desloca a entrada para o lado menor deixando deixando um único eixo longitudinal, a diretriz do caminho humano. É guiada pelo olhar do observador.

Apesar dessas relações não podemos compara-las, pois a igreja tem função e alma.

A diferença entre a escala humana grega e a cristã é que a primeira é estática e a segunda respeita o dinamismo do homem.

Essa conquista dinâmica também é evidente nos edifícios de esquema central. Roma com o passar do templo muda de extrovertido e ativo para mais reflexivo, mostrando essa caracteristica na arquitetura, tornando-a mais dinâmica.

O dinâmismo se mostra bem forte em Santa Costanza, com várias passagens ppara o homem, diversas vistas e sensações.



[1]Subtítulo sugerido pela aluna.

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